GUTO DEMESKI | FISIOTERAPEUTA DE CAMPEÕES

Gustavo demeski, o Guto Orelha, trabalha com alguns dos maiores nomes do MMA mundial, como Anderson Silva, Rogério Minotouro e Fabrício Werdum. Faixa-preta de jiu-jitsu e figura extremamente querida dentro e fora do universo da lutas, o gaúcho, radicado na Califórnia, revela detalhes da sua trajetória pessoal e profissional, desde a faixa-branca, até os mais badalados cards do UFC.

Como foi seu início no jiu-jitsu e quais os valores traz daqueles tempos?
Comecei no jiu-jítsu em 1994, em Porto Alegre (RS), na academia Behring com os professores Álvaro Barreto, Flávio Behring, Silvio Behring, Maurício Behring e Márcio Corleta. Aprendi muitas coisas que até hoje fazem parte da minha vida, como disciplina, humildade, amizade, companheirismo, caráter e foco. São valores que levo para minha vida! E o mais importante é que me sinto aluno até hoje. Vaidade nunca, tento sempre manter minha mente aberta ao aprendizado! Após 3 anos, fui treinar na Sul Jiu-Jitsu com os mestres Walter Matos, Zé Mário, Fernando Paradeda e Guto Campos, onde fortaleci esses valores que aprendi durante minha vida de estudante de jiu-jitsu. Peguei minha faixa preta em 2002, com o campeão peso pesado do UFC, Fabrício Werdum. Atualmente, treino na equipe Checkmatt, em Redondo Beach, Califórnia, com meu irmão e paciente Luiz Panza.

Quais as responsabilidades e o que muda na vida de uma pessoas após se tornar um faixa-preta?
Na verdade, muda muita coisa, porque passamos para uma outra fase quando nos tornamos faixa-preta começamos a ser referência para os mais novos. Nossos valores se tornam mais fortes, nossos critérios referentes ao esporte e a vida ficam mais sólidos. Devemos sempre buscar o conhecimento, porque somos considerados exemplos pelos mais novos. A respeito das responsabilidades, na verdade, elas se mantém as mesmas que aprendi durante a minha graduação de faixa-branca até a preta, só que agora eu preciso passar isso da melhor maneira para os mais novos que estão entrando no esporte e sonham um dia em serem faixas-preta.

Porque motivos iniciou na fisioterapia?
A fisioterapia aconteceu meio de acidente na minha vida, na verdade. Eu fiz vestibular para odontologia, mas na hora da matricula troquei para fisioterapia. Entrei no curso de fisioterapia no mesmo ano que comecei a fazer jiu-jitsu e, no ano seguinte, comecei a fazer shiatsuterapia com meu mestre Hasayuki Yasui.

Nessa época, já imaginava trabalhar como fisioterapeuta de lutadores, ou as coisas aconteceram naturalmente?
Era um sonho trabalhar com os grandes nomes do esporte, mas as coisas foram acontecendo na minha vida. Quando comecei no jiu-jitsu e na fisioterapia, comecei a desenvolver um projeto chamando Terapia no Tatame. Esse projeto tinha o objetivo de prevenir as lesões no jiu-jitsu. Comecei a colocar em prática com Márcio Corleta, Fabrício Werdum e outros integrantes do time de competição da Winner Behring.

Como conheceu o Anderson Silva e iniciou os trabalhos com ele?
Eu conheci o Anderson em uma academia de Los Angeles que ele costumava treinar. Nesse dia fiz um trabalho de fisioterapia preventiva com ele. Depois iniciamos a fazer esse trabalho regularmente. Após três meses, recebi o convite para integrar a equipe do Spider no primeiro UFC Brasil. Foi realmente um sonho. Começar a fazer história com um atleta que admiro muito e estar no primeiro evento do UFC no Brasil.

Quais foram os maiores desafios para você, como fisioterapeuta, para recuperá-lo da trágica lesão na perna que ele sofreu?
Acho que o maior desafio que enfrentamos foi o medo, pois no início a dor estava muito presente. O tratamento em si foi muito tranquilo e objetivo. Buscamos a reabilitação mais rápida e segura pra ele. Por se tratar de um atleta de alto rendimento, a fisioterapia teve que ser bem específica.

Você utiliza técnicas de auto liberação miofascial? Quais resultados observa?
Eu uso sim e observo resultados muito importantes, tanto na parte de reabilitação quanto na parte de prevenção e performance!

De uma maneira geral, quais as maiores dificuldades ao trabalhar com lutadores de MMA?
Acho que não tem uma parte difícil porque o trabalho deve ter a sincronia do atleta com o fisioterapeuta e treinadores, pois ele é tanto preventivo, como curativo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *